segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Poema de gare de Astapovo

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do
                                                                  [mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda sua vida Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheios de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mão esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali á sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande
                                                                   [Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos
                                                         [da infância!

(Mario Quintana)

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